ANGUSTIA GRACILIANO RAMOS PDF

O romance "Vidas Secas" foi sua obra de maior destaque. Й considerado o melhor ficcionista do Modernismo e o prosador mais importante da Segunda Fase do Modernismo. Suas obras embora tratem de problemas sociais do Nordeste brasileiro, apresentam uma visгo crнtica das relaзхes humanas, que as tornam de interesse universal. Infвncia e Juventude Graciliano Ramos nasceu na cidade de Quebrвngulo, Alagoas, no dia 27 de outubro de Filho de Sebastiгo Ramos de Oliveira e Maria Amйlia Ferro Ramos era o primogкnito de quinze filhos, de uma famнlia de classe mйdia do Sertгo nordestino. Passou parte de sua infвncia na cidade de Buнque, em Pernambuco, e parte em Viзosa, Alagoas, onde estudou no internato da cidade.

Author:Kagarn Daishakar
Country:Montenegro
Language:English (Spanish)
Genre:Personal Growth
Published (Last):2 August 2011
Pages:118
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ISBN:231-8-83347-335-1
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Os vagabundos, por exemplo. Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Bas- baques escutam, saem. E os autores, resignados, mos- tram as letras e os algarismos, oferecendo-se como as mulheres da Rua da La. Impossivel trabalhar. Concluo o trabalho, mas a resma de papel fica muito reduzida. Em duas horas escrevo uma palavra: Marina Depois, aproveitando letras deste nome, arranjo coisa, absurdas: ar, mar, rima, arma, ira, amar.

Uns vinte nomes. Tipos bestas. Como um rato, exatamente. E coisa piores, muito piores. O artigo que me pediram afasta-se do papel. Ar, mar, ria, arma, ira. Meteu esse trabalhinh num caixilho dourado e pregou-o na parede, por cim do bureau.

Mas dr. Afinal tudo desaparece. E, inteiramente vazio, fico tempo sem fim ocupado em riscar as palavras e os desenhos. Vida de sururu. Procuro afastar de mim essa criatura. Uma viagem, embria. Tento distrair-me olhando a rua.

A medida que o carro se afasta do centro sinto que me vou desanuviando. D lado direito, navios. Aurorf que naquele tempo era velha, morreu. E faltar plantas. Cidade grande, falta de trabalho. O bonde chega ao fim da linha, volta. Os globos opalinos do Ater iluminam o gramado murcho e a praia branca. Penso nuxr ditadura militar, em paradas, em disciplina. Aurora e a cesta de ossos Dagoberto somem-se. O carro passa pelos lundos do tesouro. E ali que trabalho.

No chiqueiro alguns bichos bodejavam. Um carro de bois apodrecia deba,ixo das catingueiras sem folhas. Trajano Pereira de Aquino Cavalcante e Silva tomava pileques tremendos. Aqui mais de uma hora chamando essa mulher! Quando foi isso? Camilo Pereira da Silva amolava-se: — Deixe de arrelia.

Morreu o ano passado. Quinze minutos depois estava berrando: — Sinha Germana! Fomos morar na vila. Penso em mestre Domingos, no velho Trajano, em meu pai. Releio com desgosto o artigo que vou dar a Pi- mentel. Os defuntos antigos me importunam. Deve ser por causa da chuva. Este pensamento esqui sito — Marina despida, arrepiada, coberta de caroci nhos — bole comigo durante alguns minutos. Repetia o exercicio, cheio de alegria doida, e gritava para os animais do curral, que se lava- ram como eu.

Antes de entrar nela, o Ipanema tinha dois metros de lar- gura e arrastava-se debaixo dos garranchos de algu- mas quixabeiras sem folhas. Puxava-me para cima e deixava-me respirar um instante. Em seguida repetia a tortura.

Sempre imagi nei o pintor com a cara de Camilo Pereira da Silva, e o cachorro parecia-se comigo. Marina desaparece. Vejo a figura sinistra de seu Evaristo enforcado e os ho- mens que iam para a cadeia amarrados de cordas. Tudo empastado, con fuso. A escola era triste. Havia rosas em todo o canto. Os trastes cobriam-se de grandes manchas vermelhas. Ca lam-se acovardados, tornam-se inofensivos, transfor mam-se, correm para a vila recomposta.

Era como se a gente houvesse deixado a Terra. De re- pente surgiam vozes estranhas. Que eram? Um alarido, um queixume, clamor enor- me, sempre no mesmo tom. Que seriam? Supunha que eram patos gritando, embora nunca tivesse ouvido a voz dos patos. Perguntei naquele tempo ou perguntei depois? Fuf sentar-me numa prensa de farinha que havla no fundo do nosso quintal. Estava espantado, imaginando a vida que ia suportar, sozinho neste mundo. Sentia irfo e pena de mim mesmo. A casa era dos outros, o defunto era dos outros.

Eu estava ali como um bichi- nho abandonado, encolhido na prensa que apodrecfa. Que ia ser de mim, solto no mundo? Rosendf queimava alfazema num caco de telha.

Ao passar pela cozinha, encontrei-a mexend nas panelas e lastimando-se. Encostei-m ao muro, escorreguei por cima da madeira bichad a. Desde esse dia tenho recebido muito coice. Corri para a sala, chorando. Adormeci pela madrugada. No dia seguinte os credores passaram os gada- nhos no que acharam. Aqui- lo agora tinha outro dono. Provavelmente rondava a casa, entrava pela portas fechadas, olhava as prateleiras vazias.

As palavr me chegam quase apagadas, destituidas de senso. Oito e meia. Em que ponto do trajeto me acho? Provavelmente um segundo, mas um segundo que pa- rece eternidade. Mexo-me, atravesso a rua a grandes pernadas. As meninas dela, d. Maria e Teresa, tentavam consolar-me. Leves pecados. Nem eu. Resolvi desertar para uma dessas terras distantes. Muito obrigado pela comida com que me matou a fome. Maria, Teresa. Provavelmente tudo aquilo se passou num segundo.

Certos indivfduos pertencem a mais de um grupo, outros circulam, procurando familfaridades provefto sas. Como vai? Estou com muita pressa. E o constrangimento desapareceu. Engrola, saltando linhas, a. Mas afasto este pensamento severo.

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